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Giardíase em gatos?



A Giardia é um protozoário que habita naturalmente o trato intestinal dos seres humanos e da maioria dos animais domésticos. É encontrado em todas as regiões do mundo, e possui duas formas morfológicas (trofozoítos e cistos). A forma de “trofozoíto” é a que reside no trato intestinal dos animais, enquanto a forma infectante e contagiosa é chamada de “cisto”. Por ser transmitida de animais para humanos, a doença giardíase é considerada uma zoonose, e por isso criadores e proprietários devem ter especial cuidado no manuseio das fezes e com a higiene do ambiente e das mãos. Estudos recentes revelaram que cerca de 80% dos filhotes de gatos podem ser portadores do parasita em algumas populações.

A forma de infecção é pela via oral-fecal, o que significa que o animal infectado teve contato com os cistos do protozoário presentes nas fezes do hospedeiro (animal que abrigava o agente infeccioso em seu organismo), e ingeriu os mesmos. O contato com água, alimento ou objetos contaminados também causa a transmissão da doença. Os cistos de Giardia podem ser eliminados nas fezes entre 5 e 16 após a ingestão. Animais jovens ou que possuam alguma deficiência imunológica apresentam maior risco de infecção, e também de eliminação dos cistos da Giardia.

Apesar da alta prevalência, o animal infectado pode ser assintomático (não apresenta manifestações clínicas) na maioria dos casos. Porém, filhotes podem apresentar episódios de diarreia aguda logo após a infecção. Já em idosos, os episódios de diarreia podem ser de curta duração, intermitentes e crônicos. Ainda, a giardíase é considerada um problema para animais que passam por condições de estresse constante, imunossuprimidos ou que são mantidos em grandes grupos (observou-se maior índice da doença clínica nestes casos). Os animais acometidos podem apresentar perda de peso secundária à diarreia. Em casos mais graves, a diarreia pode vir acompanhada de muco.

A doença apresenta caráter grave em filhotes e gatos jovens, uma vez que acompanha quadros importantes de desidratação, letargia e perda de apetite. Tais alterações são extremamente preocupantes quando se trata de animais nesta faixa etária, uma vez que sua necessidade hídrica é bastante alta e seu organismo possui pouca quantidade de reserva energética. 

A prevalência de Giardia pode ser alta mesmo quando o organismo não é detectado no exame. Cabe ressaltar que a maioria dos animais que transmitem cistos de Giardia são assintomáticos (ou seja, não apresentam manifestações clínicas), mesmo quando os gatos eliminam os cistos no ambiente por vários meses. É importante ressaltar que gatos com Giardia devem ser testados para FIV e FeLV, pois podem apresentar deficiência imunológica secundária à estas duas viroses.

O tratamento para giardíase deve ser instituído em todos os animais que convivem no mesmo ambiente, pois gatos assintomáticos podem eliminar cistos e assim infectar o ambiente. Desta forma, a propagação da doença é evitada. 

O prognóstico de cura é excelente, desde que os cistos não permaneçam no ambiente, o que causaria a reinfecção dos felinos, e que os animais não apresentem outras doenças que causem o comprometimento do sistema imune.
Vacinas contra Giárdia não estão disponíveis para gatos, portanto as formas de tratamento disponíveis são com medicamentos e controle ambiental. A prevenção se dá evitando o contato de animais não-infectados com ambiente contaminado e com fezes de animais infectados.

Os cistos são muito resistentes em ambientes frios e úmidos, e podem manter-se contaminantes por vários meses (alguns estudos referem que os cistos ficam viáveis na água de rios e lagos por até 84 dias). Por este motivo, a desinfecção do ambiente e dos objetos dos animais é fundamental.

O manejo adequado da higiene do ambiente também necessita ser revisto.  Em ambientes controlados como gatis, alguns autores recomendam 4 passos para um protocolo de controle ambiental:
1- descontaminar o ambiente;
2- utilizar medicamentos para tratar os animais;
3- limpar/remover possíveis cistos da pelagem; e
4- prevenir a reintrodução da infecção.


Este artigo é apenas informativo, não dispensa uma consulta com o Médico Veterinário. Em caso de suspeita procure sempre o médico veterinário.


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