Pular para o conteúdo principal

Cuidados após cirurgias no Sistema Urinário


Cuidados após cirurgias no Sistema Urinário



Todo paciente que for submetido a um procedimento nos rins e/ou ureteres deve ser rigorosamente monitorado no pós-operatório. É comum uma perda de sangue durante o transoperatório nestes órgãos, porém se há suspeita de extravasamento de sangue no pós-operatório, deve-se monitorar os parâmetros do animal através das mucosas, frequências cardíaca e respiratória e pelo hemograma. Excesso de sangue perdido pode significar uma hemorragia e nesse caso deve-se pensar na possibilidade de uma transfusão sanguínea. Animais anêmicos devem receber oxigênio nasal durante o período de recuperação anestésica.

No pós-operatório de cirurgias nos ureteres deve-se observar a ocorrência de obstrução próximo à linha de sutura. É relativamente comum ocasionar estenose próximo ao local da sutura, principalmente em animais mais jovens onde a cicatrização é mais rápida. Neste caso deve-se fazer o acompanhamento diário do paciente através de exames como ultrassonografia e radiografia abdominal, pelo menos nos primeiros cinco dias de pós-operatório. É importante lembrar que o inchaço ureteral pode ser comum após cirurgias e causar alguma obstrução no fluxo ureteral, mas geralmente se resolve sem terapia, ao contrário da estenose que não é autolimitante.

São de extrema importância também o acompanhamento da produção urinária e avaliação da desidratação do cão ou gato. Os animais devem receber fluidoterapia para estimular o funcionamento dos rins e repor déficits de desidratação. Para avaliação da produção urinária deve-se colocar uma sonda uretral até a bexiga, esvaziar a mesma e acompanhar a quantidade de produção da urina num recipiente, durante uma hora. Porém, no caso das fêmeas o procedimento é um pouco mais complicado, pois pode-se fazer falsa via para o canal uterino. Por isso é necessário auxílio de um vaginoscópio, uma fonte de luz e na maioria das vezes de uma sonda uretral rígida ou de um guia de sonda.

Em cirurgias na bexiga ou uretra é indispensável que as sondas uretrais permaneçam na paciente por três a quatro dias, para evitar estenose e que a presença da urina nos pontos de sutura impeça a cicatrização da uretra. É importante que as sondas sejam removidas no máximo em cinco dias de pós-operatório para evitar infecção ascendente no trato urinário.

O veterinário deve sempre estar atento em qualquer cirurgia do trato urinário quanto à ocorrência de extravasamento de urina na cavidade abdominal. Se isso ocorrer o paciente apresentará peritonite e ficará prostrado no pós-operatório. Para confirmar a suspeita de urina no abdômen, deve-se puncionar o líquido abdominal através de uma abdominocentese e medir o nível de creatinina do fluido. O valor resultante não deve ser maior que o nível sanguíneo do animal.

Nos primeiros dias de pós-operatório deve-se sempre avaliar os níveis eletrolíticos do cão ou gato, dosar potássio, ureia, creatinina e realizar exame de urinálise, para corrigir anormalidades hemodinâmicas secundárias à cirurgia.

Independente do órgão operado deve-se fazer uso de antibióticos e analgésicos nas cirurgias do sistema urinário. O tempo da terapia vai depender conforme a gravidade do caso e do paciente.


Este artigo é apenas informativo, consulte sempre um médico veterinário.


Postagens mais visitadas deste blog

28 de setembro – Dia Mundial de Combate à Raiva

Para lembrar a importância de controle e prevenção do vírus da raiva, a  Aliança Global para o Controle da Raiva (ARC ), com o apoio da  Organização Pan-Americana de Saúde (Opas)  e da  Organização Mundial da Saúde (OMS) , comemoram, em 28 de setembro, o Dia Mundial de Combate à Raiva. Por ano, mais de 40 mil pessoas morrem em todo o mundo em decorrência do vírus. Desde 2004, ele está sob controle, no Brasil. Até então, era um grave problema, principalmente devido à raiva urbana, transmitida por cães e gatos. Mas ainda existem outros animais transmissores da doença, como os morcegos, hematófagos ou não. A doença transmitida por esses animais em ambiente urbano vem sendo identificada com frequência cada vez maior. O médico-veterinário tem papel fundamental na luta contra a raiva. Ele atua nos sistemas de saúde e fica responsável por prevenção, controle, diagnóstico clínico e laboratorial da doença. Ele avalia fatores de risco quanto à transmissão do vírus no ...

Dia de banho

“Sábado é dia de banho.” Essa expressão popular, muito utilizada em brincadeiras, pode soar como falta de higiene para os humanos, mas não para os pets. Isso porque a recomendação é que os cachorros tomem banho exatamente uma vez por semana, ou, dependendo do caso, duas vezes ao mês.  Os cães podem tomar banhos semanalmente, ou a cada 15 dias. Depende de quanto se sujam (alguns cães que saem todo dia à rua podem voltar sujos), ou mesmo na dependência do tipo de pelagem, eles podem requerer banhos mais frequentes E quem pensa que gato não toma banho está muito enganado. Os felinos também devem enfrentar o banho, mas no caso deles, apenas uma vez ao mês. Normalmente, os gatos são mais limpos. Eles fazem a higiene do pelo (lambem-se) todos os dias. No caso dos gatos, um banho por mês pode ser suficiente, mas com o intuito de retirar os pelos mortos, assim como a escovação do pelo, que pode ser diária. Alguns gatos podem tomar banhos com intervalos de me...

Ciclo da pulga

A pulga é um inseto que parasita vários animais. Existem vários tipos de pulgas e a preferência de cada uma delas por certa espécie de mamífero. A pulga do cão e do gato geralmente não sobe em seres humanos pela simples razão que elas gostam de animais com temperatura entre 38,2ºC a 39,5 ºC (graus centigrados). As pulgas sobem na gente se estivermos com febre por exemplo. Cada pulga  adulta coloca cerca de 30 a 40 ovos todos os dias . Estes ovos são colocados em cima do animal e no chão da casa.  Os ovos eclodem e as larvas se alimentam de pó (poeira) no chão. Depois as larvas pupam (viram casulos como as borboletas) e ao eclodirem viram pulgas prontas para recomeçar o ciclo. Para se exterminar as pulgas devemos controlar a pulga em cima do animal, no meio ambiente e matar os ovos ou torná-los inférteis. As pulgas preferem colocar seus ovos em locais secos, bem abrigados, de baixa umidade e com boa quantidade de alimento para a...